A história da torcida mais maluca do Brasil
Matéria escrita por Roger Willians em seu antigo blog
A Torcida Organizada Malucos do Tigre surgiu no final do ano de 1989,
quando o querido Rio Branco disputava as finais do Campeonato Paulista da 2ª
divisão. A Torcida nasceu dentro de um Fliperama da Avenida Campos Salles, fruto
da paixão de três torcedores fanáticos pelo Tigre: Andrézão (Lemão), Paulinho
Punk e Carlão.
No começo, tudo foi muito difícil e com muitas dificuldades vieram as
primeiras camisetas, e quando anunciaram o nome da Torcida, a galera saiu “no
tapa” para conseguí-las. Com cerca de 50 integrantes a Malucos do Tigre tinha
apenas um surdão, uma bandeira e o talco era improvisado, pegando farinha de
trigo das prateleiras de casa.
A Malucos estreou nas arquibancadas do Estádio Décio Vitta no jogo
contra a rival Ponte Preta, que infelizmente o Tigrão levou a pior e perdeu o
jogo em casa por 1 x 0, gol do centroavante Monga, sendo assim eliminado nas
semifinais do Campeonato Paulista da divisão de acesso de 1989.
No ano seguinte, com apoio da diretoria do Rio Branco e alguns
comerciantes da cidade, a Malucos do Tigre se preparou para acompanhar todos os
jogos do Rio Branco na Divisão de Acesso do Paulistão e logo no primeiro jogo
do campeonato a torcida contava com mais de trezentos integrantes. A torcida
foi gratificada com a conquista do acesso do glorioso Tigre da Paulista à
primeira divisão da Elite do Futebol Paulista.
Desde então, a Malucos vem acompanhando o Tigre em todos os campeonatos,
tendo organizado caravanas para todos os estádios do Estado de São Paulo,
incluindo Vila Belmiro, Pacaembu, Canindé, Parque Antártica e Morumbi.
Hoje, existem as mesmas dificuldades financeiras, mas é com muita luta e
dedicação que superam os obstáculos. "Nada que se possa conquistar sem
dificuldades e sem trabalho é verdadeiramente valioso", dizem os malucos.
“Por isso que somos uma das Torcidas mais conhecidas e respeitadas do Interior,
e sem dúvida a mais tradicional, alegre e apaixonada Torcida do Rio Branco
Esporte Clube”.
Lema da Malucos: Garra, Emoção e Perseverança.
Nome: Surgiu pela admiração ao cantor e poeta brasileiro Raul Seixas, o
“Maluco Beleza”, que certa vez realizou um show na região e ao final foi
presenteado com uma camisa da organizada, vestiu e posou para uma histórica
fotografia. Todos da torcida tentam encontrar essa imagem até hoje. Em sua sede
é possível ouvir sempre as músicas de Raulzito e ver seu rosto estampado em
algumas camisetas.
Comando: hoje a Malucos do Tigre é presidida por José Carlos dos Reis, o
“Nikima”, que já integrou os quadros da extinta TUDéis. Marcelo “Tiubi” Testone
é o vice-presidente e Rogérião, Marcelinho, Evandro “Cabeça” são os diretores.
Um pouco das organizadas do Tigre
Fogueteiros do Tigre, Malucos do Tigre, Explosão do Rio Branco, Tigres
do Frezarin, TUDéis (Torcida Uniformizada Dez do Tigre), Fanatigre (Torcida
Uniformizada Fanáticos do Tigre), TUIAN (Torcida Uniformizada Inferno
Alvinegro), TURBO, Inflamáveis, Garra do Tigre e Fiel. Todas essas torcidas
acompanharam em determinado período e de alguma maneira o Rio Branco Esporte
Clube. Cada uma teve sua característica e sua maneira de gritar, cantar,
festejar. Certamente, o número de uniformes que cada uma delas produziu, seja
bonés, cata-ovos, coletes, camisetas, bermudas ou calças, deve ser muito maior
do que a própria quantidade de camisas oficiais do clube.
"Como eu fui escolhido por vocês o narrador oficial da torcida
riobranquense, preciso dizer algumas coisas nesta data em que esse bando de
malucos completa duas décadas:
Quando alguém bater no peito e dizer "o time subiu por
minha causa”, “o clube só não acabou por que eu não deixei” e “eu segurei muita
coisa no clube e por isso chegamos até aqui”, dêem muita risada desse
fanfarrão. É mentira!
O Tigre só é Tigre ainda por que a Malucos existe, por que VOCÊS são
Tigres, vocês são como o mascote desse clube querido, não temem a ninguém e
nunca acreditaram que o futebol ia acabar, como muitos disseram dentro do
próprio clube. Vocês foram aquela brasa ainda que pequena, mas acesa, que
manteve incandescente o amor pelo alvinegro campeão do centenário e maior
revelador de craques que esse interior já viu.
Vocês não deixaram mudo o gigante Décio Vitta. Gritaram (muitas vezes em
poucas vozes) empurrando times medíocres que não honraram a camisa preta e
branca. Sem reconhecimento nenhum de diretorias, da imprensa e até ouvindo
xingamentos de pernas de pau como Leandro Love, vocês apoiavam... Quando caiu,
lá estavam vocês chorando, quando subiu, ouvia-se a malucada gritando que o “Tigrão
voltou”.
A história do Tigre é maluca, tudo a ver com vocês. Tão maluca que está
difícil escrever um livro sobre ela. Mas tenham certeza que vocês têm uma
história linda como a desse time de escudo simples e estrutura milionária. A
disciplina de vocês, os gritos, a chegada aos estádios sempre chamando
atenção... Caramba! Poderia escrever mais 10 mil toques, mas deixa para a festa
de 30 anos.
Você, Malucos, é exemplo de garra, fibra e determinação e passa ao Tigre
coragem, domínio e vibração. Sei que com o Rio Branco, onde ele estiver,
estarão vocês, torcendo com devoção. Parabéns! E obrigado por me deixar fazer
parte, mesmo que à distância, dessa história cheia de mastros, bandeirões,
bexigas e fogos..." Roger Willians
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