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Fred Smania: um predestinado do esporte americanense

Fred Allan Smania é um dos personagens de maior sucesso da história do futebol americanense. Figura carimbada do esporte, ele já foi de tudo: mascote, goleiro, atacante, preparador físico, técnico, homem forte do futebol do Palmeiras, braço direito de Jair Picerni e diretor. Em todas as funções, Fred marcou história de alguma forma e se tornou o mais predestinado esportista americanense ao sucesso. 

Nascido em 15 de março de 1951, em uma casa no bairro da Conserva, Fred é filho de Armando Smania, que foi técnico de futebol e goleiro do Rio Branco, e de Elvira Marcondes Smania. Hoje com 66 anos, Fred é personal trainer, mas vem ajudando o historiador Gabriel Pitor a fazer um grande trabalho de resgate ao Vasco da Gama de Americana, time que guarda com grande carinho. 

O Acervo - Rio Branco Esporte Clube, então, resolveu resgatar algumas partes da trajetória desse "americanense da gema". Esta é apenas uma de muitas histórias de vários personagens do Vasco da Gama que serão retratados no livro-almanaque "Esporte Clube Vasco da Gama - Um traço de união paulista-carioca", de Gabriel Pitor, e no "Almanaque do Tigre", de Claudio Gioria. Embarquemos na história de Fred Smania: um predestinado do esporte americanense.

Mascote do Vasquinho
Fred Smania já foi "mascote" do Vasco da Gama de Americana em um desfile comemorativo ao 7 de Setembro. Este talvez seja o primeiro grande registro do personagem na história do futebol. Seu pai, Armando, já era técnico do cruzmaltino no Campeonato da Liga Americanense de Futebol e no Amador do Estado e, por isso, ficou fácil para o ainda menino se envolver com o esporte.

Aliás, é bom dizer: Fred, naquela época, era praticamente vizinho do estádio Victório Scuro, assim como vários jogadores e diretores do clube da Conserva. Mais um motivo pelo qual começou cedo no futebol.

O Vasquinho foi o campeão do desfile de 7 de Setembro de 1957, como podemos ver na foto abaixo em que o seu pai, Armando, carrega a taça.

Fred Smania toma a frente do desfile de 7 de Setembro. Era o "mascotinho" do Vasco de Americana e desfilou junto com todo o time do cruzmaltino.

À direita Armando Smania, pai de Fred, carregando a taça de vencedor do desfile de 7 de Setembro;
Fred, ainda menino, carrega uma taça não identificada

O atacante predestinado
O "mascotinho" cresceu e virou um centroavante alto e de grande vigor físico. Era, então, o verdadeiro início de Fred Smania no futebol e não poderia ser em outro clube, senão no Vasco da Gama. Foi assim que ele passou a compor um grande elenco de Antonio Rosalém que seria selecionado para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente ao terceiro escalão estadual, atual A-3).

A sua estreia como atacante foi um presente de aniversário, no dia 17 de março de 1968, contra o Flamengo de Campinas. Fred entrou no lugar de Esquerdinha no segundo tempo, mas não anotou tento algum na vitória por 4 a 0 do onze cruzmaltino.

VASCO DA GAMA 3x0 FLAMENGO (CAMPINAS)
Data: 17/03/1968 - Domingo
Placar final: Vasco da Gama 3x0 Flamengo de Campinas
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: Brandão - Liga Campineira
Renda: NCr$100,00

Vasco da Gama: Nenê "Manga Rosa"; Irineu (Amadio), Celso (Romualdo), Helio e Arlindo; Valdecir, Esquerdinha (Fred Smania) e Bauer; Airton (Espanhol), Dirceu e Martins. Técnico: Antonio Rosalém.

Gols:
VAS - Bauer
VAS - Bauer
VAS - Esquerdinha

Mesmo sem marcar, Fred chamou atenção e passou a ser utilizado por Rosalém nos jogos. Porém, meses depois, ele foi cortado do elenco principal devido a sua idade (17 anos) e foi colocado no time de amadores do Vasco - que disputaria o Amador do Estado, também organizado pela Federação Paulista de Futebol.

Ao todo, foram nove jogos como atacante do Vasquinho e apenas um gol. Esse gol, por sinal, decisivo e que rendeu um troféu para a galeria cruzmaltina.

Em 1968, Vasco da Gama e Flamengo, os dois grandes rivais do futebol de Americana, disputaram o troféu "Irmãos Guion" em uma melhor de três jogos. O primeiro jogo foi na Vila Galo e terminou com vitória do Flamengo por 1 a 0. A volta, no Victório Scuro, teve vitória vascaína por 2 a 0. Por fim, no terceiro e decisivo jogo, também realizado no Victório Scuro, mas divido em 50/50 pelas torcidas rivais, o Vasco venceu por 1 a 0 com gol dele, Fred Smania.

VASCO DA GAMA 1x0 FLAMENGO (AMERICANA)
Data: 26/05/1968 - Domingo
Placar final: Vasco da Gama 1x0 Flamengo
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: José Aldo Belém
Renda: NCr$ 1.162,00

Vasco da Gama: Jair; Marinho e Darcy; Padre, Barreira e Tesoura; Nenê, Wilton, Fred Smania (Mirinho), Zezinho e Miguel (Jonas).

Flamengo FC: Argemiro; Walter, Valentim e Algodão; Ditão e Tião; Lu, Belinho, Batata, Juca e Máquina.

Gol:
VAS - Fred Smania

Obs.: Com esse resultado, o Vasco da Gama conquistou o título do Troféu Irmãos Guion.
Obs.2: O jogador Juca, do Flamengo, é o narrador esportivo Jota Junior, atualmente nos canais SporTV.

Fred Smania, o atacante predestinado que definiu o título da Taça Irmãos Guion a favor do Vasco sobre o seu arquirrival, o Flamengo.

O goleiro predestinado
O Vasco da Gama estava na segunda fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 1968 - campeonato este que se encerrou apenas em 1969. Para se entender o contexto, voltemos àquela edição da "Terceirinha": na primeira fase, o Vasco passou como segundo colocado em um grupo de oito integrantes. A segunda fase, chamada de Série Brigadeiro Faria Lima, contava com Vasco, Amália de Santa Rosa do Viterbo, Fernandópolis, Oeste de Itápolis, DERAC de Itapetininga e Santo André. Apenas o campeão da série se classificava para a final e apenas o campeão da divisão subia para a "Segundinha".

Nesta segunda fase, o Vasco da Gama perdeu o seu goleiro titular, Nenê "Manga Rosa", para o Paulista de Jundiaí. Zé Aparecido assumiu o posto de Nenê, mas faltava um goleiro reserva para completar o elenco. Depois de muitas confabulações e consultas, um "menino dos amadores do Vasco, forte e com vigor físico" foi promovido para o plantel principal e para goleiro reserva: Fred Smania.

O primeiro jogo de Fred Smania como reserva do cruzmaltino foi contra o DERAC, em Itapetininga, tendo o Vasco ganho por 3 a 2 e dado grande passo para ser campeão da série. Ele ficou até a final, no dia 20 de abril, contra o Municipal de Paraguaçu Paulista (a extinta Paraguaçuense). Sempre como reserva, mas pertencente ao primeiro elenco campeão profissional da cidade de Americana.

Fred é o primeiro em pé, ao lado do zagueiro Romualdo;
abaixo, temos o diretor David Tonussi, o meio-campista Bauer e o mascotinho Bolão (Edílson Tonussi)

Preparador físico do AEC
Fred Smania fez faculdade de Educação Física e teve seu primeiro trabalho como preparador físico no Americana Esporte Clube, em 1976. Esteve ao lado de Bidon, Nã, Foguinho, Rinaldo, Eraldo "Cabeção" e tantos outros técnicos que passaram pelo alvi-anil no fim dos anos 70.

E, claro, ele estava lá, no primeiro e único título do Americana: da Seletiva para a Segunda Divisão de 1977. Dessa vez, não mais como goleiro ou atacante, mas em sua nova função de preparador que exerceria por anos e anos. Foi com esse título que o AEC conseguiu se manter na Segundona para, em 1979, passar o bastão para o Rio Branco.

Registro do Jornal O Liberal de 12/04/1977 - Fred Smania ao lado de Foguinho, técnico do AEC

Aqui, Fred como preparador físico do AEC. Ao seu lado, o lateral Ferreira e abaixo o atacante Ligão

Preparador físico do primeiro acesso
Com a fusão de Americana e Rio Branco, alguns funcionários que eram do time alvi-anil foram para o alvinegro americanense. Entretanto, Fred Smania não foi um desses e ficou de fora. Para conseguir um lugar no Tigre, ele teve que contar com a ajuda de um de seus grandes parceiros no futebol: o diretor David Tonussi.

Tonussi demonstrou sua insatisfação com o Rio Branco e ameaçou sair da diretoria do time. Os diretores do alvinegro não queriam perder David, um dos grandes colaboradores do futebol do Tigre, então perguntaram para o diretor o que faria ele ficar no time: "Eu fico se o Fred for o preparador,"

Foi assim que Fred Smania, em 1980, iniciou uma longa jornada no Rio Branco e estaria no primeiro acesso à elite, em 1990, como homem-forte de Afrânio Riul. Neste período, ele também foi treinador interino do Rio Branco, mas essa história vamos contar mais detalhes a seguir.

Fred como preparador físico do Tigre (o primeiro da esq. à dir.)
Rio Branco 1x0 Central Brasileira - 04/03/1990

Antes do acesso, o técnico do rival
Fred Smania, antes de subir com o Rio Branco em 1990, teve uma curta passagem pelo arquirrival União Barbarense como técnico. Foi em 1987, substituindo Walter Zaparolli e sob o respaldo do então presidente Nivaldo Batagin.

Isso aconteceu porque Fred foi dispensado do Tigre, algo que causou muita estranheza. O alvinegro americanense estava montando um time novo, com comissão técnica nova, todos vindo do Capivariano que tinha feito boa campanha na Segundona de 86.

Ao todo, foram sete jogos de Fred Smania no comando do Leão: três vitórias, dois empates e duas derrotas. Foi dispensado após o empate por 2 a 2 com o Velo Clube, pela quarta rodada da Segunda Divisão Estadual. Muitos, aliás, não concordaram com essa dispensa dentro do clube barbarense, uma vez que Fred estava no início de seus trabalhos e tinha retrospecto positivo. Para o seu lugar, Tonhão foi contratado, mas o União Barbarense não escaparia do rebaixamento naquela temporada, já que a Federação Paulista de Futebol fez um grande "facão" que rebaixou metade dos times da "Segundinha".

A primeira vitória na elite sob os comandos de Fred
Em Americana, Fred Smania continuava sendo um predestinado, dessa vez como o comandante de uma das vitórias mais emblemáticas do Rio Branco: a primeira na elite estadual, em 1991.

No dia 24 de julho de 1991, o Tigre, ainda comandado por Rubens Minelli, estreou com um empate em 0 a 0 em casa contra a Internacional de Limeira. Isso fez o técnico cair do comando alvinegro e Fred Smania assumir interinamente por algumas rodadas.

Em uma dessas jornadas, no dia 31 de julho de 1991, o alvinegro derrotou o São José por 1 a 0, gol de falta de Dico, e conquistou a sua primeira vitória na história da elite estadual.

RIO BRANCO 1X0 SÃO JOSÉ
Data: 31/07/1991 - Quarta-feira
Placar final: Rio Branco 1x0 São José
Placar 1º tempo: Rio Branco 0x0 São José
Local: Décio Vitta, em Americana
Público: 2.196 pagantes (um dos maiores da rodada, mesmo sendo um baixo público à época para o Tigre)

Rio Branco: Rogério; Levi, Cava, Pedro Paulo e Gilson; Leomir, Augusto (Marcos Alberto) e Pianelli; Nilton, Éder (Saura) e Dico. Técnico: Fred Smânia.

São José: Paulo Vitor; Marcelo (Alemão), Eugênio, Dama e Joãozinho; Nenê, Vander Luis e João Paulo; Claudinho (Edson Souza), Marcus Vinícius e Luciano. Técnico: Basílio.

Gol:
RBO - Dico 39' 2ºT

Obs.: A primeira vitória do Rio Branco na elite estadual.

Até então, o Rio Branco fez 407 jogos em 18 anos de Série A-1 (1991-2007, 2010): 140 vitórias, 107 empates e 160 derrotas; 578 gols pró e 597 gols sofridos.


Vídeo publicado por Claudio Gioria na página do seu futuro livro do Tigre

Manchete do jornal O Liberal após a primeira vitória na elite estadual;
Fred era o técnico

Bi-campeão simbólico do Interior
Fred Smania passou por vários times durante toda a década de 90. Foi neste período que ele passou a ser o homem de confiança do técnico Jair Picerni - ajudando-o como preparador físico, mas também em várias oportunidades atuando como olheiro e como auxiliar técnico.

Neste período, ele conquistou dois títulos simbólicos do Interior: um de Minas e outro de São Paulo. O de Minas Gerais foi em 1996, com a tradicionalíssima Caldense, encerrando o estadual em 3º lugar, atrás apenas dos gigantes Atlético Mineiro e Cruzeiro. Por fim, o título simbólico do interior paulista foi na volta ao arquirrival União Barbarense, em 1999, quando encerrou em 6º lugar no Paulistão - atrás apenas dos quatro grandes e da Portuguesa.

E aqui vale explicar o motivo de ser "simbólico": não havia, de fato, uma premiação, uma oficialização ou um torneio paralelo que decretasse o "campeão do interior" (como foi com o Rio Branco em 1922 e 1923, ou como vem acontecendo desde 2006 com o "Troféu do Interior" na elite estadual). Nem mesmo o regulamento do Paulistão citava que o melhor time do interior seria o campeão. Porém, era comum, à época, os pequenos brigarem pela melhor colocação fora os quatro grandes do estadual, justamente porque havia esse reconhecimento simbólico de "Campeão do Interior".

Esq. à dir.: Fred Smania, Jair Picerni e Toni Ferreira
Apresentação no União Agrícola em 1999

O pequeno-gigante vice da Libertadores
Outro momento marcante do futebol dos pequenos foi no início da década de 2000, quando o São Caetano conseguiu dois vice-campeonatos brasileiros e, o principal, o vice-campeonato da Libertadores em 2002. O Azulão do ABC é o time que mais longe chegou dentre os pequenos e médios na maior competição continental - ultrapassando o Guarani de 1979, que chegou a fase semifinal.

Fred Smania estava na comissão técnica do São Caetano de 2002, junto com Jair Picerni. Na final, a equipe acabou derrotada nos pênaltis por 4 a 2 para o Olímpia, do Paraguai.

Série B de 2003 com o Palmeiras
Em 2002, o Palmeiras tinha sofrido um traumático rebaixamento sob o comando do técnico Levir Culpi (este o menos culpado, é bom que se diga). Para o ano seguinte, que necessitava de uma reestruturação e de uma campanha sólida na Série B do Brasileirão, a diretoria alvi-verde chamou o técnico Jair Picerni para o comando. Fred Smania foi junto como preparador físico e também atuava como auxiliar técnico em algumas oportunidades. Por vezes, Smania e Picerni discutiam prováveis reforços e nomes para montar o elenco do Palmeiras. O Verdão foi campeão indiscutível da Série B com 23 vitórias em 35 jogos.

Fred retornaria em situação complicada ao Palmeiras em 2006, definitivamente como auxiliar técnico de Jair Picerni, para a reta final do Brasileirão. A equipe escapou do rebaixamento nas últimas rodadas.

O gerente de futebol do único título profissional do Rio Branco
Em todas as maiores glórias esportivas de Americana, Fred Smania estava lá. Não seria diferente em 2012, quando o Tigre jogaria pela primeira vez a Série A-3 do Campeonato Paulista. Ele era gerente de futebol e contava com o apoio do técnico Cilinho e do Edson Fassina na montagem do elenco para o Paulistão.

E deu muito certo! O Rio Branco sobrou durante todo o campeonato, sendo líder na primeira fase, líder no quadrangular de acesso e campeão. Este é o único título profissional do Tigre, já que os outros dois foram ainda na fase amadora: o Campeonato do Interior de 1922 e 1923. Ao todo, foram 27 jogos: 16 vitórias, sete empates e quatro derrotas. Para se ter uma ideia, a maior derrota foi o 1 a 0, em casa, para o XV de Jaú.

Fred não ficou até o fim do campeonato. Acabou saindo junto com o Cilinho, após a vitória por 3 a 2 sobre o Juventus, alegando interferência da diretoria dentro de campo. Mas ficou a base do time campeão com: Eder; Oliveira, Bernardi, Aírton e Esquerdinha; Deda, Rafael Jataí, Rodrigo Celeste e Rafael Chorão; Sandro Hiroshi e Marcos Denner.

Ficha - a carreira de Fred Smania

Como jogador
1967 - Atacante EC Vasco da Gama (Amadores)
1ºsem 1968 - Atacante EC Vasco da Gama (Amadores e Profissionais)
2ºsem 1968 - Goleiro EC Vasco da Gama (Profissionais)
1969 - Goleiro EC Vasco da Gama (Profissionais)

Como parte da comissão técnica e cartola
1975 - Bacharelado na PUC Campinas em Educação Física
1976 - Preparador físico do Americana EC
1977 - Preparador físico do Americana EC
1978 - Preparador físico do Americana EC
1980 - Preparador físico do Rio Branco
1981 - Preparador físico do Rio Branco
1982 - Preparador físico do Rio Branco
1983 - Preparador físico do Rio Branco
1984 - Preparador físico do Rio Branco
1985 - Preparador físico do Rio Branco
1986 - Preparador físico do Rio Branco
1987 - Técnico do União Agrícola Barbarense
1988 - Preparador físico do Rio Branco
1989 - Preparador físico do Rio Branco
1990 - Preparador físico do Rio Branco
1991 - Preparador físico do Rio Branco
1992 - Preparador físico do Rio Branco
1ºsem 1993 - Preparador físico do Rio Branco
2ºsem 1993 - Preparador físico do Bragantino
1994 - Preparador físico da Ponte Preta
1ºsem 1995 - Preparador físico da Ponte Preta
2ºsem 1995 - Preparador físico do Bahia
1996 - Preparador físico da Caldense
1997 - Preparador físico do Rio Branco
1998 - Preparador físico do Rio Branco
1999 - Preparador físico do União Agrícola Barbarense
1ºsem 2000 - Preparador físico do União Agrícola Barbarense
2ºsem 2000 - Preparador físico do Rio Branco
2002 - Preparador físico do São Caetano
2003 - Preparador físico do Palmeiras
1ºsem 2004 - Preparador físico do Palmeiras
2ºsem 2004 - Preparador físico do Atlético Mineiro
2ºsem 2004 - Preparador físico do Guarani
1ºsem 2005 - Preparador físico do Guarani
2ºsem 2005 - Preparador físico do Bahia
1ºsem 2006 - Preparador físico do Fortaleza
2ºsem 2006 - Preparador físico do Brasiliense
2ºsem 2006 - Auxiliar técnico do Palmeiras
2007 - Preparador físico do São Caetano
2012 - Gerente de futebol do Rio Branco

Dados técnicos

Todos os jogos como treinador do Rio Branco Esporte Clube*


1981 22/04 Palmeiras (SJBV) 0 x 0 Rio Branco 2ª Divisão E
1983 13/11 União São João 2 x 2 Rio Branco Amistoso E
1984 11/03 Rio Branco 1 x 1 Taubaté Amistoso E
1986 13/04 União São João 0 x 0 Rio Branco 2ª Divisão E
1986 10/08 Guaçuano 1 x 2 Rio Branco 2ª Divisão V
1986 17/08 Rio Branco 3 x 2 Derac 2ª Divisão V
1988 20/11 Taubaté 2 x 1 Rio Branco 2ª Divisão D
1988 27/11 Rio Branco 2 x 0 Rio Preto 2ª Divisão V
1988 03/12 Rio Branco 5 x 3 Comercial 2ª Divisão V
1988 08/12 São Bernardo 1 x 3 Rio Branco 2ª Divisão V
1991 28/07 São Bento 3 x 0 Rio Branco 1ª Divisão D
1991 31/07 Rio Branco 1 x 0 São José 1ª Divisão V
1991 04/08 São Paulo 1 x 0 Rio Branco 1ª Divisão D
1997 17/05 São José 1 x 1 Rio Branco 1ª Divisão E

*Os dados tiveram ajuda do historiador Claudio Gioria
Desempenho: 14JG | 6V | 5E | 3D

Todos os jogos como jogador do Esporte Clube Vasco da Gama

1968 17/03 Vasco 3 x 0 Flamengo de Campinas Amistoso V
1968 24/03 Sumaré 1 x 4 Vasco Amistoso V
1968 12/05 Flamengo (AM) 1 x 0 Vasco Taça Irmãos Guion D
1968 19/05 Vasco 2 x 0 Flamengo (AM) Taça Irmãos Guion V
1968 26/05 Vasco 1 x 0 Flamengo (AM) Taça Irmãos Guion V
1968 11/08 Vasco 0 x 5 América (AM) Amador do Estado D
1968 18/08 Flamengo (AM) 0 x 0 Vasco Amador do Estado E
1968 01/09 Vasco 1 x 0 São Manuel Amador do Estado V
1968 08/09 Vasco 1 x 2 Flamengo (AM) Amador do Estado D

Desempenho: 9JG | 5V | 1E | 3D - 1 gol (o do título da Taça Irmãos Guion, em 26/05/1968)

Todos os jogos como treinador do União Agrícola Barbarense

1987 26/04 Rio Claro 0 x 2 União Agrícola Amistoso V
1987 03/05 Ginásio Pinhalense 1 x 2 União Agrícola Amistoso V
1987 06/05 União Agrícola 1 x 0 Ginásio Pinhalense Amistoso V
1987 10/05 Radium 1 x 0 União Agrícola 2ª Divisão D
1987 17/05 União Agrícola 1 x 1 Saltense 2ª Divisão E
1987 20/05 Independente 1 x 0 União Agrícola 2ª Divisão D
1987 24/05 União Agrícola 2 x 2 Velo Clube 2ª Divisão E

Desempenho: 7JG | 3V | 2E | 2D

Galeria de títulos e vices:
1968 - Campeão da Taça Irmãos Guion - Vasco de Americana
1968 - Campeão da Segunda Divisão de Profissionais (3ª Divisão) - Vasco de Americana
1977 - Campeão do Torneio Seletivo para a 2ª Divisão - Americana EC
1990 - Vice-campeão da Divisão Intermediária e primeiro acesso à elite - Rio Branco EC
1996 - Campeão do Interior - Caldense
1999 - Campeão simbólico do Interior - União Agrícola Barbarense
2002 - Vice-campeão da Copa Libertadores da América - São Caetano
2003 - Campeão Brasileiro da Série B - Palmeiras
2006 - Vice-campeão Cearense - Fortaleza
2012 - Campeão Paulista da Série A-3 - Rio Branco EC

Tonanha

Nome de batismo, João Luís Vergel, nome de "guerra", Tonanha. Este brasileiro, que saiu das equipes de base do extinto AEC (Americana Esporte Clube) chegou ao Boa vista, de Portugal vindo do Salgueiros onde era goleador, e também no clube fez bastantes e importantes gols. Um desses foi frente à Fiorentina na 1ª eliminatória da Taça UEFA, na temporada de 86/87. O Boavista tinha perdido em Florença e no segundo jogo no Bessa, ganhou por 1-0 (gol de Nelson logo aos 8 minutos de jogo). O jogo foi a pênaltis e Tonanha fez o 3-1 que deu a vitória ao Boavista, pois a seguir Onorati da Fiorentina falharia. Nesse mesmo ano, na 2ª eliminatória da Taça UEFA, desta vez frente ao Glasgow Rangers, Tonanha marcou aos 33 minutos em Glasgow o único gol do Boavista nesse jogo que perdeu por 2-1, ficando o Boavista pelo caminho após uma derrota por 0-1 no Bessa na segunda partida, mas em que "massacrou" a equipa escocesa.

Eis a sua trajetória:

. 1979: Mogi Mirim;

. 1980: Mogi Mirim;

. 1981: Mogi Mirim;

. 1981/82: União de Leiria;

. 1982/83: União de Leiria;

. 1983/84: Alcobaça;

. 1984/85: Salgueiros (fazia quase 90% dos gols da equipe de Paranhos);

. 1985/86: Boavista;

. 1986/87: Boavista;

. 1987/88: Salgueiros.

Depois de Tonanha, vieram outros com o mesmo nome no futebol português, muito pelo sucesso e pela artilharia que sempre teve.

Após a passagem memorável em Portugal, ele passou no Brasil por Rio Branco, de Americana sua cidade, Mogi Mirim e Capivariano.

Garcia Salvador


Mauro Garcia, ou Garcia Salvador, era o jogador mais conhecido no Rio Branco no início da década de 40. Habilidoso, ele deixou seu nome na história do Tigre anotando 24 gols nas três primeiras edições da famosa Lei do Acesso.

Fez 69 jogos pelo alvinegro, atuando de 43 a 50 e de 52 a 53 em Americana, segundo o jornalista e historiador Claudio Giória. 

Garcia faleceu no dia 16 de janeiro. Na foto ao lado, ele aparece no centro dos que estão em pé. Toda família sentiu muito sua perda e certamente a nação riobranquense também. Com idade bastante avançada ele teve complicações irreversíveis. Dentre os membros da família está o vereador Thiago Brochi, que presenteou o jornalista Roger Willians no ano passado com a foto original do time de 1943.

Ele entrou pra história ao marcar duas vezes no empate com o Palmeiras em 3 a 3 no ano de 1944. Esse jogo foi em prol às obras do Hospital São Francisco.  Também marcou por estar em campo no primeiro jogo da história do RB na Segunda Divisão em 1947, quando sua equipe perdeu para a Francana por 2 a 0.

Garcia vai para o céu montar um grande esquadrão riobranquense junto com Marquinhos Sartore, Gilmar Lima, Afrânio Riul e tantos outros que falaríamos por longo tempo aqui neste espaço. Valeu, Garcia! 

Souza

O blog vasculhou no seu arquivo pessoal e encontro um recorte histórico do Jornal O Liberal de 29 de agosto de 1993. Na capa do jornal estava a chamada para a contratação de um meia, então desconhecido. Era o início da ótima passagem de Souza no Rio Branco.


Como não bastasse, encontramos uma das primeiras fotos do meia ao iniciar treinamentos visando o Paulistão de 1994. Souza foi um dos destaques daquele campeonato e por isso acabou sendo vendido ao Corinthians pela maior transação entre clubes brasileiros à época.


A equipe de 1994 começou a ser montada por Cilinho, que era demitido em 9 de fevereiro. Interinamente Adeilton Ladeira o substitui e na seqüência o uruguaio Sérgio Ramires começa seu trabalho em 11 de fevereiro, vindo do Atlético Paranaense.


Curiosidade: Em 1994 surgem as séries A1, A2 e A3 (Primeira Divisão) e B1, B2 e B3 (segunda Divisão) em nova reestruturação no futebol paulista. Outra vez o maior rival do Tigre se distanciava do alvinegro. O União Agrícola voltava à “Terceira Divisão”, a denominada Série A3 por imposição da Federação Paulista de Futebol.

Mazinho

1993 foi o ano em que o Palmeiras voltou a conquistar um título. Foi o ano em que o Tigre terminou na 8ª colocação o seu primeiro Paulistão de verdade (em 91 e 92 houve virada de mesa em favor do São Paulo) com 36 jogos disputados, tendo ido ao octogonal final. Foram 13 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. O ataque marcou 47 gols e a defesa sofreu 44.

O Time de Cassiá tinha como base essa formação: Hugo; Marcinho, Camilo, Marcelo Fernandes e Carlinhos Capixaba; Gerson, Edimar e Flávio Conceição; Gilson Batata, Mazinho Loyola e Aritana. Compunham o elenco Marquinhos Sartore, Leandro, Galeano, Eraldo, Ronaldo, Moreno, Marcelo Formiga, Duda, Urnal, Toninho Cajuru e Sidnei.

O artilheiro alvinegro foi Mazinho Loyola, com 12 gols. E foi dele um dos gols mais Lembrados pelo torcedor alvinegro.

No dia 9 de maio daquele ano, no Décio Vitta, o Tigre perdia para o Guarani por 1 a 0 e estava sendo eliminado do Paulistão, já que o Mogi Mirim vencia sua partida em Mogi. Eis que, nos acréscimos, Mazinho recebe e bate cruzado para estufar as redes do gol de entrada do DV. Era o empate e o passaporte para o octagonal.

Uma festa total! O Riobrancão tremeu nesse dia. E o blog, em conjunto com o site www.copaamericana.com.br do fanático Henrique Silveira, conseguiu recuperar o áudio desse gol na voz de Antonio Édson, um dos maiores narradores esportivos do Brasil e americanense da gema. A rádio era a Notícia FM, que manou o repórter Carlos Tavares para acompanhar o jogo do Sapão, em Mogi Mirim.

Houve invasão da cabine e muita alegria de todos. Vale a pena ouvir, chamar o pai, o tio ou o avô para ouvir também e se emocionar.

   
Zaramelo comenta o gol histórico  

Rio Branco 1x1 Guarani, 1993, Estádio Décio Vitta. Eu estava lá naquele dia. E não estava lá como profissional de imprensa, embora na época fosse um dos integrantes da equipe de esportes da Azul Celeste. Eu estava lá como torcedor, ocupando a cadeira cativa que meu avô João Zaramelo (Zinho) me deu de presente em 1979.

Dizer que o gol de Mazinho Loyola foi a maior emoção que vivi no futebol seria exagero, afinal, o futebol nos reserva emoções a todo instante. Mas foi sim uma das grandes emoções que tive.

O estádio estava cheio, o Rio Branco precisava do resultado para ter uma classificação inédita à reta final do Paulistão. A confiança que havia antes do início do jogo foi, aos poucos, cedendo lugar à apreensão com o gol do Guarani e o passar do tempo. Angústia total. Alguns, incrédulos.

Mas o gol do Mazinho provocou uma festa enorme. Vi torcedores perto de mim se abraçando, muitos chorando de alegria. Compartilhei dos mesmos sentimentos com os amigos que estavam ao meu lado.

Foi de arrepiar. Como estou arrepiado neste momento em que escrevo para seu blog. Os grandes momentos da história do Rio Branco jamais serão apagados.

Zaramelo Jr.

Mineiro

Revelado nas categorias de base do Rio Branco Esporte Clube, Mineiro despontou no futebol mundial atuando em grandes clubes brasileiros e europeus, além de vestir a camisa da seleção brasileira, onde foi campeão da Copa América de 2007 e disputou a Copa de Mundo de 2006.

Aos 38 anos, Mineiro teve passagens por Rio Branco, Ponte Preta, São Caetano, São Paulo, Hertha Berlim (ALE), Chelsea (ING), Schalke 04 (ALE) e Tus Koblenz (ALE), seu último clube em 2012. O volante ficou marcado na história do Tricolor ao marcar o gol do título na final do Mundial de Clubes de 2005.

Com residência fixa na Alemanha, Mineiro está passando férias em Americana, onde reside parte de sua família, e possui um projeto social de futebol no bairro Jardim América. O jogador pretende continuar atuando. “Pretendo atuar mais um ou dois anos. Tudo depende de uma renovação de contrato com o Schalke ou acerto com outro clube. Eu e minha família queremos continuar morando na Alemanha”, falou Mineiro.

A visita foi para tratar sobre a ampliação do projeto social voltada para crianças e jovens carentes. O local escolhido pela Associação Esportiva Alpha Brasil foi o campo da Vila Bertini, localizado na Rua Alexandre Rondelli. 

Mineiro na Secretaria de Esportes de Americana

Mineiro no Rio Branco

O volante atuou pelo Tigre em 92 jogos, de 93 a 98, período em que marcou 7 gols. Estreou em amistoso contra o Guarulhos em 93, virou titular em 1996, foi emprestado ao Guarani por R$ 110 mil, retornou à Americana e, em 1998, por R$ 600 mil (bagatela na época) a Ponte Preta comprou o passe de um dos melhores jogadores do meio de campo riobranquense.

Carlos Luciano da Silva ganhou a Bola de Prata no Brasil, onde atuou ainda por São Caetano e São Paulo, time pela qual fez o gol do título mundial em 2005. Foi pra Copa de 2006, dando mais orgulho a todos que gostam dele e do Rio Branco, seu clube formador.

Henrique Cesar Zanchetta

Nascido no Rio Branco, o cabeludo e bom atacante Henrique foi titular em parte do acesso de 1990, no lendário time de Afrânio Riul. Henrique esteve mais de 10 anos no clube e era muito querido por todos, especialmente pela torcida.

Suas comemorações de gols eram marcantes, com suas cambalhotas no ar. A cabeleira também chamavam a atenção de todos. Henrique (na foto ao lado com a camisa do Tigrão em 85) foi e é muito lembrado por todos nas rodinhas em dias de jogos no DV.

Um vídeo que localizamos no YouTube chamou atenção pela produção (era o que chamamos hoje de DVD do atleta), com trechos de narrações de Jota Junior - o mestre - e até tomadas de imagens do estádio sendo ampliado e recebendo o time depois do acesso com toneladas de fogos de artifício. Ricardo Veronese e Reginaldo "Xuxo" Gonçalves aparecem nessa obra de mais de 11 minutos.


Histórico, lindo, para se guardar e emocionar. Obrigado ao ilustre lemense Henrique Cesar Zanchetta, valeu "Henricão"!