Fred Smania: um predestinado do esporte americanense

Fred Allan Smania é um dos personagens de maior sucesso da história do futebol americanense. Figura carimbada do esporte, ele já foi de tudo: mascote, goleiro, atacante, preparador físico, técnico, homem forte do futebol do Palmeiras, braço direito de Jair Picerni e diretor. Em todas as funções, Fred marcou história de alguma forma e se tornou o mais predestinado esportista americanense ao sucesso. 

Nascido em 15 de março de 1951, em uma casa no bairro da Conserva, Fred é filho de Armando Smania, que foi técnico de futebol e goleiro do Rio Branco, e de Elvira Marcondes Smania. Hoje com 66 anos, Fred é personal trainer, mas vem ajudando o historiador Gabriel Pitor a fazer um grande trabalho de resgate ao Vasco da Gama de Americana, time que guarda com grande carinho. 

O Acervo - Rio Branco Esporte Clube, então, resolveu resgatar algumas partes da trajetória desse "americanense da gema". Esta é apenas uma de muitas histórias de vários personagens do Vasco da Gama que serão retratados no livro-almanaque "Esporte Clube Vasco da Gama - Um traço de união paulista-carioca", de Gabriel Pitor, e no "Almanaque do Tigre", de Claudio Gioria. Embarquemos na história de Fred Smania: um predestinado do esporte americanense.

Mascote do Vasquinho
Fred Smania já foi "mascote" do Vasco da Gama de Americana em um desfile comemorativo ao 7 de Setembro. Este talvez seja o primeiro grande registro do personagem na história do futebol. Seu pai, Armando, já era técnico do cruzmaltino no Campeonato da Liga Americanense de Futebol e no Amador do Estado e, por isso, ficou fácil para o ainda menino se envolver com o esporte.

Aliás, é bom dizer: Fred, naquela época, era praticamente vizinho do estádio Victório Scuro, assim como vários jogadores e diretores do clube da Conserva. Mais um motivo pelo qual começou cedo no futebol.

O Vasquinho foi o campeão do desfile de 7 de Setembro de 1957, como podemos ver na foto abaixo em que o seu pai, Armando, carrega a taça.

Fred Smania toma a frente do desfile de 7 de Setembro. Era o "mascotinho" do Vasco de Americana e desfilou junto com todo o time do cruzmaltino.

À direita Armando Smania, pai de Fred, carregando a taça de vencedor do desfile de 7 de Setembro;
Fred, ainda menino, carrega uma taça não identificada

O atacante predestinado
O "mascotinho" cresceu e virou um centroavante alto e de grande vigor físico. Era, então, o verdadeiro início de Fred Smania no futebol e não poderia ser em outro clube, senão no Vasco da Gama. Foi assim que ele passou a compor um grande elenco de Antonio Rosalém que seria selecionado para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente ao terceiro escalão estadual, atual A-3).

A sua estreia como atacante foi um presente de aniversário, no dia 17 de março de 1968, contra o Flamengo de Campinas. Fred entrou no lugar de Esquerdinha no segundo tempo, mas não anotou tento algum na vitória por 4 a 0 do onze cruzmaltino.

VASCO DA GAMA 3x0 FLAMENGO (CAMPINAS)
Data: 17/03/1968 - Domingo
Placar final: Vasco da Gama 3x0 Flamengo de Campinas
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: Brandão - Liga Campineira
Renda: NCr$100,00

Vasco da Gama: Nenê "Manga Rosa"; Irineu (Amadio), Celso (Romualdo), Helio e Arlindo; Valdecir, Esquerdinha (Fred Smania) e Bauer; Airton (Espanhol), Dirceu e Martins. Técnico: Antonio Rosalém.

Gols:
VAS - Bauer
VAS - Bauer
VAS - Esquerdinha

Mesmo sem marcar, Fred chamou atenção e passou a ser utilizado por Rosalém nos jogos. Porém, meses depois, ele foi cortado do elenco principal devido a sua idade (17 anos) e foi colocado no time de amadores do Vasco - que disputaria o Amador do Estado, também organizado pela Federação Paulista de Futebol.

Ao todo, foram nove jogos como atacante do Vasquinho e apenas um gol. Esse gol, por sinal, decisivo e que rendeu um troféu para a galeria cruzmaltina.

Em 1968, Vasco da Gama e Flamengo, os dois grandes rivais do futebol de Americana, disputaram o troféu "Irmãos Guion" em uma melhor de três jogos. O primeiro jogo foi na Vila Galo e terminou com vitória do Flamengo por 1 a 0. A volta, no Victório Scuro, teve vitória vascaína por 2 a 0. Por fim, no terceiro e decisivo jogo, também realizado no Victório Scuro, mas divido em 50/50 pelas torcidas rivais, o Vasco venceu por 1 a 0 com gol dele, Fred Smania.

VASCO DA GAMA 1x0 FLAMENGO (AMERICANA)
Data: 26/05/1968 - Domingo
Placar final: Vasco da Gama 1x0 Flamengo
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: José Aldo Belém
Renda: NCr$ 1.162,00

Vasco da Gama: Jair; Marinho e Darcy; Padre, Barreira e Tesoura; Nenê, Wilton, Fred Smania (Mirinho), Zezinho e Miguel (Jonas).

Flamengo FC: Argemiro; Walter, Valentim e Algodão; Ditão e Tião; Lu, Belinho, Batata, Juca e Máquina.

Gol:
VAS - Fred Smania

Obs.: Com esse resultado, o Vasco da Gama conquistou o título do Troféu Irmãos Guion.
Obs.2: O jogador Juca, do Flamengo, é o narrador esportivo Jota Junior, atualmente nos canais SporTV.

Fred Smania, o atacante predestinado que definiu o título da Taça Irmãos Guion a favor do Vasco sobre o seu arquirrival, o Flamengo.

O goleiro predestinado
O Vasco da Gama estava na segunda fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 1968 - campeonato este que se encerrou apenas em 1969. Para se entender o contexto, voltemos àquela edição da "Terceirinha": na primeira fase, o Vasco passou como segundo colocado em um grupo de oito integrantes. A segunda fase, chamada de Série Brigadeiro Faria Lima, contava com Vasco, Amália de Santa Rosa do Viterbo, Fernandópolis, Oeste de Itápolis, DERAC de Itapetininga e Santo André. Apenas o campeão da série se classificava para a final e apenas o campeão da divisão subia para a "Segundinha".

Nesta segunda fase, o Vasco da Gama perdeu o seu goleiro titular, Nenê "Manga Rosa", para o Paulista de Jundiaí. Zé Aparecido assumiu o posto de Nenê, mas faltava um goleiro reserva para completar o elenco. Depois de muitas confabulações e consultas, um "menino dos amadores do Vasco, forte e com vigor físico" foi promovido para o plantel principal e para goleiro reserva: Fred Smania.

O primeiro jogo de Fred Smania como reserva do cruzmaltino foi contra o DERAC, em Itapetininga, tendo o Vasco ganho por 3 a 2 e dado grande passo para ser campeão da série. Ele ficou até a final, no dia 20 de abril, contra o Municipal de Paraguaçu Paulista (a extinta Paraguaçuense). Sempre como reserva, mas pertencente ao primeiro elenco campeão profissional da cidade de Americana.

Fred é o primeiro em pé, ao lado do zagueiro Romualdo;
abaixo, temos o diretor David Tonussi, o meio-campista Bauer e o mascotinho Bolão (Edílson Tonussi)

Preparador físico do AEC
Fred Smania fez faculdade de Educação Física e teve seu primeiro trabalho como preparador físico no Americana Esporte Clube, em 1976. Esteve ao lado de Bidon, Nã, Foguinho, Rinaldo, Eraldo "Cabeção" e tantos outros técnicos que passaram pelo alvi-anil no fim dos anos 70.

E, claro, ele estava lá, no primeiro e único título do Americana: da Seletiva para a Segunda Divisão de 1977. Dessa vez, não mais como goleiro ou atacante, mas em sua nova função de preparador que exerceria por anos e anos. Foi com esse título que o AEC conseguiu se manter na Segundona para, em 1979, passar o bastão para o Rio Branco.

Registro do Jornal O Liberal de 12/04/1977 - Fred Smania ao lado de Foguinho, técnico do AEC

Aqui, Fred como preparador físico do AEC. Ao seu lado, o lateral Ferreira e abaixo o atacante Ligão

Preparador físico do primeiro acesso
Com a fusão de Americana e Rio Branco, alguns funcionários que eram do time alvi-anil foram para o alvinegro americanense. Entretanto, Fred Smania não foi um desses e ficou de fora. Para conseguir um lugar no Tigre, ele teve que contar com a ajuda de um de seus grandes parceiros no futebol: o diretor David Tonussi.

Tonussi demonstrou sua insatisfação com o Rio Branco e ameaçou sair da diretoria do time. Os diretores do alvinegro não queriam perder David, um dos grandes colaboradores do futebol do Tigre, então perguntaram para o diretor o que faria ele ficar no time: "Eu fico se o Fred for o preparador,"

Foi assim que Fred Smania, em 1980, iniciou uma longa jornada no Rio Branco e estaria no primeiro acesso à elite, em 1990, como homem-forte de Afrânio Riul. Neste período, ele também foi treinador interino do Rio Branco, mas essa história vamos contar mais detalhes a seguir.

Fred como preparador físico do Tigre (o primeiro da esq. à dir.)
Rio Branco 1x0 Central Brasileira - 04/03/1990

Antes do acesso, o técnico do rival
Fred Smania, antes de subir com o Rio Branco em 1990, teve uma curta passagem pelo arquirrival União Barbarense como técnico. Foi em 1987, substituindo Walter Zaparolli e sob o respaldo do então presidente Nivaldo Batagin.

Isso aconteceu porque Fred foi dispensado do Tigre, algo que causou muita estranheza. O alvinegro americanense estava montando um time novo, com comissão técnica nova, todos vindo do Capivariano que tinha feito boa campanha na Segundona de 86.

Ao todo, foram sete jogos de Fred Smania no comando do Leão: três vitórias, dois empates e duas derrotas. Foi dispensado após o empate por 2 a 2 com o Velo Clube, pela quarta rodada da Segunda Divisão Estadual. Muitos, aliás, não concordaram com essa dispensa dentro do clube barbarense, uma vez que Fred estava no início de seus trabalhos e tinha retrospecto positivo. Para o seu lugar, Tonhão foi contratado, mas o União Barbarense não escaparia do rebaixamento naquela temporada, já que a Federação Paulista de Futebol fez um grande "facão" que rebaixou metade dos times da "Segundinha".

A primeira vitória na elite sob os comandos de Fred
Em Americana, Fred Smania continuava sendo um predestinado, dessa vez como o comandante de uma das vitórias mais emblemáticas do Rio Branco: a primeira na elite estadual, em 1991.

No dia 24 de julho de 1991, o Tigre, ainda comandado por Rubens Minelli, estreou com um empate em 0 a 0 em casa contra a Internacional de Limeira. Isso fez o técnico cair do comando alvinegro e Fred Smania assumir interinamente por algumas rodadas.

Em uma dessas jornadas, no dia 31 de julho de 1991, o alvinegro derrotou o São José por 1 a 0, gol de falta de Dico, e conquistou a sua primeira vitória na história da elite estadual.

RIO BRANCO 1X0 SÃO JOSÉ
Data: 31/07/1991 - Quarta-feira
Placar final: Rio Branco 1x0 São José
Placar 1º tempo: Rio Branco 0x0 São José
Local: Décio Vitta, em Americana
Público: 2.196 pagantes (um dos maiores da rodada, mesmo sendo um baixo público à época para o Tigre)

Rio Branco: Rogério; Levi, Cava, Pedro Paulo e Gilson; Leomir, Augusto (Marcos Alberto) e Pianelli; Nilton, Éder (Saura) e Dico. Técnico: Fred Smânia.

São José: Paulo Vitor; Marcelo (Alemão), Eugênio, Dama e Joãozinho; Nenê, Vander Luis e João Paulo; Claudinho (Edson Souza), Marcus Vinícius e Luciano. Técnico: Basílio.

Gol:
RBO - Dico 39' 2ºT

Obs.: A primeira vitória do Rio Branco na elite estadual.

Até então, o Rio Branco fez 407 jogos em 18 anos de Série A-1 (1991-2007, 2010): 140 vitórias, 107 empates e 160 derrotas; 578 gols pró e 597 gols sofridos.


Vídeo publicado por Claudio Gioria na página do seu futuro livro do Tigre

Manchete do jornal O Liberal após a primeira vitória na elite estadual;
Fred era o técnico

Bi-campeão simbólico do Interior
Fred Smania passou por vários times durante toda a década de 90. Foi neste período que ele passou a ser o homem de confiança do técnico Jair Picerni - ajudando-o como preparador físico, mas também em várias oportunidades atuando como olheiro e como auxiliar técnico.

Neste período, ele conquistou dois títulos simbólicos do Interior: um de Minas e outro de São Paulo. O de Minas Gerais foi em 1996, com a tradicionalíssima Caldense, encerrando o estadual em 3º lugar, atrás apenas dos gigantes Atlético Mineiro e Cruzeiro. Por fim, o título simbólico do interior paulista foi na volta ao arquirrival União Barbarense, em 1999, quando encerrou em 6º lugar no Paulistão - atrás apenas dos quatro grandes e da Portuguesa.

E aqui vale explicar o motivo de ser "simbólico": não havia, de fato, uma premiação, uma oficialização ou um torneio paralelo que decretasse o "campeão do interior" (como foi com o Rio Branco em 1922 e 1923, ou como vem acontecendo desde 2006 com o "Troféu do Interior" na elite estadual). Nem mesmo o regulamento do Paulistão citava que o melhor time do interior seria o campeão. Porém, era comum, à época, os pequenos brigarem pela melhor colocação fora os quatro grandes do estadual, justamente porque havia esse reconhecimento simbólico de "Campeão do Interior".

Esq. à dir.: Fred Smania, Jair Picerni e Toni Ferreira
Apresentação no União Agrícola em 1999

O pequeno-gigante vice da Libertadores
Outro momento marcante do futebol dos pequenos foi no início da década de 2000, quando o São Caetano conseguiu dois vice-campeonatos brasileiros e, o principal, o vice-campeonato da Libertadores em 2002. O Azulão do ABC é o time que mais longe chegou dentre os pequenos e médios na maior competição continental - ultrapassando o Guarani de 1979, que chegou a fase semifinal.

Fred Smania estava na comissão técnica do São Caetano de 2002, junto com Jair Picerni. Na final, a equipe acabou derrotada nos pênaltis por 4 a 2 para o Olímpia, do Paraguai.

Série B de 2003 com o Palmeiras
Em 2002, o Palmeiras tinha sofrido um traumático rebaixamento sob o comando do técnico Levir Culpi (este o menos culpado, é bom que se diga). Para o ano seguinte, que necessitava de uma reestruturação e de uma campanha sólida na Série B do Brasileirão, a diretoria alvi-verde chamou o técnico Jair Picerni para o comando. Fred Smania foi junto como preparador físico e também atuava como auxiliar técnico em algumas oportunidades. Por vezes, Smania e Picerni discutiam prováveis reforços e nomes para montar o elenco do Palmeiras. O Verdão foi campeão indiscutível da Série B com 23 vitórias em 35 jogos.

Fred retornaria em situação complicada ao Palmeiras em 2006, definitivamente como auxiliar técnico de Jair Picerni, para a reta final do Brasileirão. A equipe escapou do rebaixamento nas últimas rodadas.

O gerente de futebol do único título profissional do Rio Branco
Em todas as maiores glórias esportivas de Americana, Fred Smania estava lá. Não seria diferente em 2012, quando o Tigre jogaria pela primeira vez a Série A-3 do Campeonato Paulista. Ele era gerente de futebol e contava com o apoio do técnico Cilinho e do Edson Fassina na montagem do elenco para o Paulistão.

E deu muito certo! O Rio Branco sobrou durante todo o campeonato, sendo líder na primeira fase, líder no quadrangular de acesso e campeão. Este é o único título profissional do Tigre, já que os outros dois foram ainda na fase amadora: o Campeonato do Interior de 1922 e 1923. Ao todo, foram 27 jogos: 16 vitórias, sete empates e quatro derrotas. Para se ter uma ideia, a maior derrota foi o 1 a 0, em casa, para o XV de Jaú.

Fred não ficou até o fim do campeonato. Acabou saindo junto com o Cilinho, após a vitória por 3 a 2 sobre o Juventus, alegando interferência da diretoria dentro de campo. Mas ficou a base do time campeão com: Eder; Oliveira, Bernardi, Aírton e Esquerdinha; Deda, Rafael Jataí, Rodrigo Celeste e Rafael Chorão; Sandro Hiroshi e Marcos Denner.

Ficha - a carreira de Fred Smania

Como jogador
1967 - Atacante EC Vasco da Gama (Amadores)
1ºsem 1968 - Atacante EC Vasco da Gama (Amadores e Profissionais)
2ºsem 1968 - Goleiro EC Vasco da Gama (Profissionais)
1969 - Goleiro EC Vasco da Gama (Profissionais)

Como parte da comissão técnica e cartola
1975 - Bacharelado na PUC Campinas em Educação Física
1976 - Preparador físico do Americana EC
1977 - Preparador físico do Americana EC
1978 - Preparador físico do Americana EC
1980 - Preparador físico do Rio Branco
1981 - Preparador físico do Rio Branco
1982 - Preparador físico do Rio Branco
1983 - Preparador físico do Rio Branco
1984 - Preparador físico do Rio Branco
1985 - Preparador físico do Rio Branco
1986 - Preparador físico do Rio Branco
1987 - Técnico do União Agrícola Barbarense
1988 - Preparador físico do Rio Branco
1989 - Preparador físico do Rio Branco
1990 - Preparador físico do Rio Branco
1991 - Preparador físico do Rio Branco
1992 - Preparador físico do Rio Branco
1ºsem 1993 - Preparador físico do Rio Branco
2ºsem 1993 - Preparador físico do Bragantino
1994 - Preparador físico da Ponte Preta
1ºsem 1995 - Preparador físico da Ponte Preta
2ºsem 1995 - Preparador físico do Bahia
1996 - Preparador físico da Caldense
1997 - Preparador físico do Rio Branco
1998 - Preparador físico do Rio Branco
1999 - Preparador físico do União Agrícola Barbarense
1ºsem 2000 - Preparador físico do União Agrícola Barbarense
2ºsem 2000 - Preparador físico do Rio Branco
2002 - Preparador físico do São Caetano
2003 - Preparador físico do Palmeiras
1ºsem 2004 - Preparador físico do Palmeiras
2ºsem 2004 - Preparador físico do Atlético Mineiro
2ºsem 2004 - Preparador físico do Guarani
1ºsem 2005 - Preparador físico do Guarani
2ºsem 2005 - Preparador físico do Bahia
1ºsem 2006 - Preparador físico do Fortaleza
2ºsem 2006 - Preparador físico do Brasiliense
2ºsem 2006 - Auxiliar técnico do Palmeiras
2007 - Preparador físico do São Caetano
2012 - Gerente de futebol do Rio Branco

Dados técnicos

Todos os jogos como treinador do Rio Branco Esporte Clube*


1981 22/04 Palmeiras (SJBV) 0 x 0 Rio Branco 2ª Divisão E
1983 13/11 União São João 2 x 2 Rio Branco Amistoso E
1984 11/03 Rio Branco 1 x 1 Taubaté Amistoso E
1986 13/04 União São João 0 x 0 Rio Branco 2ª Divisão E
1986 10/08 Guaçuano 1 x 2 Rio Branco 2ª Divisão V
1986 17/08 Rio Branco 3 x 2 Derac 2ª Divisão V
1988 20/11 Taubaté 2 x 1 Rio Branco 2ª Divisão D
1988 27/11 Rio Branco 2 x 0 Rio Preto 2ª Divisão V
1988 03/12 Rio Branco 5 x 3 Comercial 2ª Divisão V
1988 08/12 São Bernardo 1 x 3 Rio Branco 2ª Divisão V
1991 28/07 São Bento 3 x 0 Rio Branco 1ª Divisão D
1991 31/07 Rio Branco 1 x 0 São José 1ª Divisão V
1991 04/08 São Paulo 1 x 0 Rio Branco 1ª Divisão D
1997 17/05 São José 1 x 1 Rio Branco 1ª Divisão E

*Os dados tiveram ajuda do historiador Claudio Gioria
Desempenho: 14JG | 6V | 5E | 3D

Todos os jogos como jogador do Esporte Clube Vasco da Gama

1968 17/03 Vasco 3 x 0 Flamengo de Campinas Amistoso V
1968 24/03 Sumaré 1 x 4 Vasco Amistoso V
1968 12/05 Flamengo (AM) 1 x 0 Vasco Taça Irmãos Guion D
1968 19/05 Vasco 2 x 0 Flamengo (AM) Taça Irmãos Guion V
1968 26/05 Vasco 1 x 0 Flamengo (AM) Taça Irmãos Guion V
1968 11/08 Vasco 0 x 5 América (AM) Amador do Estado D
1968 18/08 Flamengo (AM) 0 x 0 Vasco Amador do Estado E
1968 01/09 Vasco 1 x 0 São Manuel Amador do Estado V
1968 08/09 Vasco 1 x 2 Flamengo (AM) Amador do Estado D

Desempenho: 9JG | 5V | 1E | 3D - 1 gol (o do título da Taça Irmãos Guion, em 26/05/1968)

Todos os jogos como treinador do União Agrícola Barbarense

1987 26/04 Rio Claro 0 x 2 União Agrícola Amistoso V
1987 03/05 Ginásio Pinhalense 1 x 2 União Agrícola Amistoso V
1987 06/05 União Agrícola 1 x 0 Ginásio Pinhalense Amistoso V
1987 10/05 Radium 1 x 0 União Agrícola 2ª Divisão D
1987 17/05 União Agrícola 1 x 1 Saltense 2ª Divisão E
1987 20/05 Independente 1 x 0 União Agrícola 2ª Divisão D
1987 24/05 União Agrícola 2 x 2 Velo Clube 2ª Divisão E

Desempenho: 7JG | 3V | 2E | 2D

Galeria de títulos e vices:
1968 - Campeão da Taça Irmãos Guion - Vasco de Americana
1968 - Campeão da Segunda Divisão de Profissionais (3ª Divisão) - Vasco de Americana
1977 - Campeão do Torneio Seletivo para a 2ª Divisão - Americana EC
1990 - Vice-campeão da Divisão Intermediária e primeiro acesso à elite - Rio Branco EC
1996 - Campeão do Interior - Caldense
1999 - Campeão simbólico do Interior - União Agrícola Barbarense
2002 - Vice-campeão da Copa Libertadores da América - São Caetano
2003 - Campeão Brasileiro da Série B - Palmeiras
2006 - Vice-campeão Cearense - Fortaleza
2012 - Campeão Paulista da Série A-3 - Rio Branco EC

12 de abril: Vasco campeão, maior vitória fora de casa e Tigre vence o Clássico de Ouro

O dia 12 de abril é marcado por vitórias importantes para os dois principais times americanenses, Rio Branco e Vasco da Gama. Porém, é o Dragão da Conserva o maior privilegiado nesta data: além de um título, também conquistou a sua mais expressiva vitória fora de casa. O Acervo - Rio Branco Esporte Clube traz em detalhes o feito alvinegro e os dois feitos cruzmaltinos. 

Em 1969: Vasco 3x3 Oeste - "É campeão" e vaga na final
O Campeonato Paulista da Segunda Divisão - equivalente a atual Série A-3 - se alongou e sofreu grandes alterações no "tapetão". É importante explicar todas as alterações para que fique bem claro toda a fórmula de disputa do certame.

Inicialmente, a "Terceirinha" de 68 tinha 32 equipes participantes divididas em quatro grupos de oito integrantes. O campeão de cada grupo se classificaria ao quadrangular final, no qual apenas o campeão geral subiria de divisão. A equipe vascaína estava no grupo dois ao lado de Rio Branco de Ibitinga, Araras CD, Amália, Amparo, Bauru AC, Pirassununguense e Novo Horizonte. 

Ao final da primeira fase, o Vasco tinha encerrado na segunda colocação com 11 pontos perdidos, apenas atrás do Rio Branco de Ibitinga com 7 p.p. Ao cruzmaltino, era o fim da linha na "Terceirinha". Porém, dias depois, era anunciada a notícia de que a Federação Paulista de Futebol, de repente, tinha mudado as regras do jogo: agora, não mais um, mas quatro clubes seriam classificados por grupo. Tudo isso para favorecer o Santo André, time com força na entidade organizadora do futebol estadual, que havia sido eliminado no grupo um em que o Velo Clube foi o vencedor. 

Junto com o Santo André, o Vasco e outras 10 equipes foram na bagagem. Com a mudança, o Velo Clube, o Rio Claro (em solidariedade ao Velo), o Araras CD (em solidariedade ao Velo) e o São Bento de Marília (por dispensa de jogadores) desistiram da competição. Assim, apenas 12 agremiações participaram da segunda fase. 

Os clubes foram divididos em duas séries: 
Série "Abreu Sodré" - Municipal de Paraguaçu Paulista, Jalesense, Guarani de Adamantina, Botafogo de Catanduva, Garça e Rio Branco de Ibitinga. 
Série "Brigadeiro Faria Lima" - Amália, Santo André, Fernandópolis, DERAC, Vasco de Americana e Oeste de Itápolis.

Ao final das rodadas previstas para a série Brigadeiro Faria Lima, apontou-se a seguinte classificação: 
1º Vasco da Gama - 6 p.p.
1º Oeste de Itápolis - 6 p.p.
3º DERAC - 10 p.p.
3º Santo André - 10 p.p.
5º Amália - 14 p.p.
5º Fernandópolis - 14 p.p.

Na época, não havia critérios de desempate na classificação, então Vasco e Oeste, que fizeram o mesmo número de pontos na liderança da série, fizeram um jogo de desempate no estádio Adhemar de Barros, em Araraquara. O campeão do confronto entre americanenses e itapolitanos se classificava para a final geral da Terceirinha contra o campeão da série "Abeu Sodré". 

O Vasco da Gama tinha a vantagem do empate prolongado, ou seja, se o jogo terminasse empatado nos 90 minutos iria para a prorrogação normalmente, mas se o jogo permanecesse empatado na prorrogação, o Dragão seria o campeão. Isso se deve ao fato do confronto direto entre as equipes: o Vasco venceu por 4 a 0 e depois perdeu por 3 a 1 para o Oeste. No agregado, 5 a 3 para o time americanense. 

E assim aconteceu: o Vasquinho empatou por 3 a 3 com o Oeste e se sagrou campeão da Série Brigadeiro Faria Lima, alcançando a classificação à final da Terceirinha contra o Municipal de Paraguaçu Paulista, o campeão da Abreu Sodré. 

O Liberal | 14 de abril de 1969 - Vasco se garante na final

O Liberal | 14 de abril de 1969 - Matéria que conta com detalhes o empate em 3 a 3


O Liberal | 14 de abril de 1969 - Foto dos campeões e finalistas
Alguns personagens podem ser facilmente identificados: o primeiro de pé é o técnico Lucídio Camargo, seguido do goleiro Zé Aparecido; o quinto em pé da esquerda para direita é o zagueiro Arlindo; do outro lado, o penúltimo em pé é o goleiro Fred Smânia. Agachado e o primeiro a segurar a bola é o atacante Claudio Becate.

FICHA TÉCNICA
Vasco da Gama 3x3 Oeste de Itápolis
Campeonato Paulista da "Segunda Divisão" de 1968
Data: 12/04/1969 - tarde
Local: Adhemar de Barros, em Araraquara
Placar 1º tempo: Vasco 1x0 Oeste
Placar final: Vasco 3x3 Oeste
Árbitro: Carlos Afonso Lopes
Renda: NCr$2.158,00

Vasco da Gama: Zé Aparecido; Zulu (Irineu), Arlindo (Romualdo), Valdecir e Helio; Miltinho, Tuti e Bauer; Claudio Becate, Demerval e Martins. Técnico: Lucídio Camargo.

Oeste de Itápolis: Botia; Tatau, Roque, Lelo e Cícero; Moacir Guaçu e Ferreirinha; Dirceu (Silvio), Marinho, Quincas (Mané) e Germano.

Gols: 
VAS - Claudio Becate 42' 1ºT
OES - Germano 3' 2ºT
OES - Marinho 18' 2ºT
VAS - Martins 29' 2ºT
OES - Ferreirinha 33' 2ºT
VAS - Demerval 44' 2ºT

Em 1970: Vasco passeia em Santo André
O Vasco da Gama rumou a Santo André para enfrentar a equipe local, retribuindo a visita dos andreenses no dia 22 de março. Era só mais um amistoso da história do cruzmaltino e sem muitas pretensões, senão fazer uma boa apresentação.

Entretanto, o amistoso acabou se tornando histórico: o Vasco entrou com sangue nos olhos e conquistou a maior vitória fora de casa de sua história. Detalhe para o técnico do cruzmaltino, Armando Smânia, que é o progenitor de uma família vitoriosa no esporte americanense. Armandinho foi por muitos anos goleiro do Rio Branco e foi o técnico dos primeiros anos do Vasco da Gama. Ele é pai de Fred Smânia, arqueiro do Vasquinho campeão da Terceirinha em 1969, além de preparador por muitos anos do Tigre e o treinador da primeira vitória do alvinegro americanense na elite estadual, em 1991. 

FICHA TÉCNICA
Santo André 0x6 Vasco da Gama
Amistoso
Data: 12/04/1970 - tarde
Local: Bruno José Daniel, em Santo André
Placar 1º tempo: Santo André 0x5 Vasco da Gama
Placar final: Santo André 0x6 Vasco da Gama

Vasco da Gama: Nenê "Manga Rosa" (Tanabi); Silvinho, Clésio (Romualdo), Melo e Urubatão; Dirceu (Nenê II), Tuti e Careca; Djair, Mazinho e Lair (Dirceu Paraguaçu). Técnico: Armando Smânia. 

Gols: 
VAS - Djair
VAS - Djair
VAS - Careca
VAS - Mazinho
VAS - Tuti
VAS - Gol contra

Em 2014: Nos 100 anos do Clássico de Ouro, deu Tigre
"Clássico de Ouro" é o nome dado para o confronto entre Rio Branco e Guarani, rivais desde as primeiras décadas do século XX. O primeiro jogo entre as tradicionais agremiações aconteceu em 1 de fevereiro de 1914, com vitória do Bugre sobre o então Arromba, por 8 a 1. 

Este clássico possui muita história. Guarani e Rio Branco, até o fim da década de 20, eram arquirrivais, inclusive brigando por títulos do Campeonato do Interior. Contudo, o Tigre entrou em crise e o Bugre continuou a sua gloriosa trajetória, fazendo com que a rivalidade esfriasse e o maior rival do alvinegro americanense se tornasse o Carioba, contra o qual sempre disputava os títulos amadores de Americana. Com a morte da "Vermelhinha" na década de 70, o maior rival do Rio Branco passou a ser o União Barbarense. Enquanto isso, o Guarani já tinha como maior rival, a partir do início da década de 30, a Ponte Preta, especialmente com as disputas do Campeonato Campineiro. 

Em 2014, o Clássico de Ouro completou 100 anos e as equipes se enfrentaram pela última rodada do Campeonato Paulista da Série A-2. No centenário da rivalidade, deu Tigre: 3 a 2, em Paulínia. 

FICHA TÉCNICA
Guarani 2x3 Rio Branco
Campeonato Paulista da Série A-2
Data: 12/04/2014 - manhã
Local: Luis Perissinoto, em Paulínia
Placar 1º tempo: Guarani 0x1 Rio Branco
Placar final: Guarani 2x3 Rio Branco
Árbitro: Leonardo Ferreira Lima
Auxiliares: Gustavo Rodrigues de Oliveira e Luiz Quirino da Costa
Público: 386 pagantes
Renda: R$2.720,00

Rio Branco: Cristiano; Luiz Felipe, Toninho, Danilo Costa e Jô; Fábio Baiano, Gerson (Índio), Jaílton e Rafinha; Rafael Martins (Rossini) e Lukian (Renatinho). Técnico: Júlio César.

Guarani: Diego; Afonso (Marcinho), Anderson, Jorge Luiz e Léo Rigo; Wellyson, João Víttor, Lorran e Everton; Neto (Victor Bandeira) e Giba (Victor Romanini). Técnico: Carlinhos Rodrigues (interino).

Gols: 
RBO - Jaílson 12' 1ºT
GUA - Neto 7' 2ºT
RBO - Rossini 27' 2ºT
GUA - Léo Rigo 29' 2ºT
RBO - Rafinha 31' 2ºT

2016: dentro de campo, um ano para se esquecer

O ano de 2016 se pudesse seria apagado dos 103 anos de história do Rio Branco, mas como isso não é possível, que a nossa memória seja seletiva e esqueça. Foram apenas 19 jogos: três vitórias, seis empates e 10 derrotas. Além disso, o Tigre foi rebaixado para a Série A-3 de 2017, acumulando, assim, o 4º descenso de sua história: 2007 (Série A-1), 2010 (Série A-1), 2011 (Série A-2) e 2016 (Série A-2). 

Andrezão, que culpa nenhuma teve pelo rebaixamento, se emociona
Foto: João Carlos Nascimento | O Liberal
Este também foi o ano com menos jogos no profissionalismo, ao lado de 2007 (19 jogos pelo Paulistão) e de 2011 (18 jogos pela Série A-2 e um amistoso oficial). 

Outro recorde negativo que começou na gestão de 2015, da Zaka Sports, e se prolongou durante toda a atual administração é de o maior jejum de vitórias fora de casa do profissionalismo do Rio Branco (22 jogos). 

Também, foi o pior início de temporada da história do futebol profissional alvinegro: cinco derrotas e um empate. A estreia contra o Santo André bateu recordes negativos e só não foi a pior da história em Campeonato Paulista porque em 2011 o Tigre perdeu por 5 a 0 para o São José. 

Marcelo José Bordon, técnico na Série A-2, chegou com muita pompa, mas fez um trabalho pífio e deixou a história do Tigre como o 4º pior técnico em aproveitamento (mínimo de 3 jogos). Além disso, muitas brigas, confusões, públicos ruins e abandono total por parte dos empresários da cidade.

Foto: Sanderson Barbarini | Foco no Esporte
E de positivo? Bem complicado, mas vamos a dois dados positivos do ano alvinegro. No Clássico de Ouro, o Tigre conseguiu heroicamente manter o tabu em pleno Brinco de Ouro. Agora, são três jogos sem vitórias do Guarani sobre o Rio Branco e cinco anos que vão se estender. 

Foto: Sanderson Barbarini | Foco no Esporte
E, por fim, a primeira vitória sobre a Portuguesa no Canindé em toda a história. Aliás, foi neste jogo em que o Tigre derrubou o longo jejum de vitórias fora de casa. Um triunfo que acabou sendo histórico, mesmo com o rebaixamento. 

Foto: Dorival Rosa | Portuguesa
ANO BOM PARA AS BASES 
Se o profissional fez patético papel, as bases do Rio Branco tiveram um ano positivo. Foram dois vices-campeonatos da Copa Ouro: do Sub-11 (0x1 Palmeiras) e do Sub-17 (0x1 São Paulo). Além disso, essas duas mesmas categorias foram muito bem no Campeonato Paulista. 


O Sub-17 chegou à terceira fase no primeiro ano de trabalho do gerente Sandro Hiroshi. O Sub-15 demonstrou evolução em relação aos anos anteriores, enquanto o Sub-20 fez ruim campanha e o Sub-13 decepcionou diante das expectativas. 

Quem roubou a cena nas bases foi Júlio Vitor, de 15 anos, e que jogou no Sub-17 do alvinegro americanense. O atacante e artilheiro com 17 gols foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-16, comandada por Guilherme Dalla Déa. O Tigre não tinha um atleta convocado para a Seleção de base desde o lateral-direito Gustavo, em 2000. 

Foto: Dener Chimeli | O Liberal
Com isso, o alvinegro foi um dos poucos times pequenos a ter algum atleta convocado para a seleção de base no ano de 2016. 



Anteontem, Júlio Vitor foi vendido para a Ponte Preta com o rótulo de "novo Neymar" - dito pelo presidente da equipe campineira, Vanderlei Pereira. Especula-se que a transação rendeu R$250 mil + 30% dos direitos econômicos do atleta para o Rio Branco. 

NA HISTÓRIA, O ORGULHO 
Foi um ano muito bom para o Rio Branco no quesito "preservação histórica". Mesmo com as taças ainda jogadas às traças no Décio Vitta, alguns trabalhos puderam orgulhar o torcedor alvinegro. 

O primeiro, claro, é o documentário Tigre De Americana - Uma Paixão Centenária que emocionou a todos os adeptos e simpatizantes do Rio Branco. Talvez, um dos maiores e melhores trabalhos de cenografia histórica do interior paulista. 

Aritana, talvez o maior ídolo da história do Tigre, assina camisa | Foto: Juarez Godoy
Com a participação de vários personagens ímpares da história do alvinegro americanense, o consultor e historiador Claudio Gioria e sua equipe trouxeram todos os gols da campanha de 1990, imagens do último jogo do AEC e declarações históricas.

À esq. o craque Macedo e à dir. o historiador Claudio Gioria nos bastidores da gravação
Foto: Juarez Godoy
2016 também foi um ano de evolução de reportagens e dados históricos nos periódicos. O TODODIA, com o seu editor-chefe Claudio Gioria e com o lendário repórter Luiz Peninha, continuou a fazer matérias que relembram momentos históricos do alvinegro americanense. 

E o O Liberal, que tinha perdido um pouco dessa nostalgia, não ficou atrás neste ano. Com o apoio do Acervo - Rio Branco Esporte Clube, por meio do dono e historiador Gabriel Pitor, o mais velho jornal da cidade trouxe muitas matérias históricas com autoria do repórter Renato Piovesan e do editor de esportes Bruno Moreira. 



A Rádio Brasil AM690, também com apoio do historiador Gabriel Pitor, ganhou mais dados históricos. Nas transmissões do Tigre, o narrador Ricardo Camargo trouxe o "Abrindo o Baú" que foi um resgate a jogos antigos do alvinegro americanense com ficha técnica e detalhes da partida. Também, no noticiário do Rio Branco do programa Planeta Bola - reproduzido diariamente das 18h às 19h - há o retrospecto histórico do Campeão do Centenário e seus pares na data, revelando, assim, grande parte dos jogos do futebol americanense. 

Ano positivo, também, para o Acervo de Jogos e Acervo Histórico do Rio Branco. Ao todo, já são quase 40 mil visitas, tanto para a consulta de jogos, quanto para leitura das matérias aqui publicadas. 

NAS PESQUISAS, AVANÇOS E DIFICULDADES
A história do Rio Branco ganhou grandes avanços nas pesquisas. Segundo o historiador Claudio Gioria, que está prestes a publicar um almanaque contando toda a história do Tigre, está quase completada a seção que terá a mini-biografia de todos os jogadores que em algum momento vestiram a camisa preta e branca. 

Vasquinho da Gama e Americana Esporte Clube também estão no ápice da preservação de suas histórias. Em 2016, o historiador Gabriel Pitor levantou mais de 600 jogos da dupla, sendo 60% com as suas fichas técnicas. Além disso, o trabalho de reconstrução está bem próxima de encontrar a verdadeira data de fundação do cruzmaltino americanense. 

Foi descoberto o verdadeiro escudo do Americana EC, publicado pelo acervo na semana passada. Uma novidade que veio para desmanchar equívocos históricos. 






O livro do Esporte Clube Vasco da Gama foi iniciado, porém ainda demorará para ser publicado. Nele, alguns personagens da história do Dragão serão entrevistados e colocados em cena. O torcedor poderá também recordar e conhecer o jogador com mais jogos, o maior artilheiro e outras dezenas de estatísticas da história do Vasco. 

Mas por que ainda falta muito para acabar o livro? Pelas dificuldades de pesquisa. Em outubro deste ano, o historiador Gabriel Pitor trouxe uma denúncia em seu Facebook pessoal mostrando a péssima situação dos periódicos antigos da cidade de Americana, inclusive abandonados pela gestão pública e cuidados apenas por um simpático senhor do acervo do município, Sr. Olavo. 






No mês passado, Pitor entrou em contato com o vice-prefeito de Americana, Roger Willians, fazendo uma proposta de restauração e microfilmagem dos jornais, com contra-partida financeira a ser decidida pela prefeitura da cidade e com os periódicos sendo obrigatoriamente doados para o historiador. 

Na proposta, Gabriel se comprometeu em um prazo de dois anos e meio a colocar um site no ar com todos os jornais escaneados para consulta pública aberta. Contudo, o historiador não teve resposta do vice-prefeito. 

A VOLTA DO VASCO DA GAMA
Em 6 de julho, o novo presidente do Vasquinho, Anderson Cantarelli, anunciou a volta do cruzmaltino às atividades, encerradas em 1979 com o nome de Americana Esporte Clube. O retorno, momentaneamente, não se deu no futebol, mas sim, no basquete. 

Isso balançou o cenário esportivo da cidade, inclusive com os dois jornais de Americana fazendo matérias destacando o eterno clube da Vila Rasmussen ou, também, da Conserva. 



O Acervo - Rio Branco Esporte Clube torce para que o Vasco também possa voltar no futebol - mesmo que seja apenas nos campeonatos da LAF. 

2017: ESPERANÇA 
O Rio Branco está com uma nova gestão em seu futebol: Sandro Hiroshi, lendário atacante do Tigre da Paulista; e Luiz Eduardo Salau, o Dado, apaixonado riobranquense e dono das lojas "Mega Tintas" serão os homens-fortes do futebol alvinegro. 

À esq. o presidente do Tigre Valdir Ribeiro e à dir. o empresário Dado Salau
Para o comando técnico, João Batista foi contratado. O treinador já tinha passado pelo RB, em 2014, quando fez a melhor campanha da história do time na Copa Paulista, sendo nove vitórias, quatro empates e nova derrota. João conhece o Rio Branco e sabe do peso de sua história, inclusive faz questão de salientar isso em suas palavras. 

Oficialmente, 19 jogadores foram contratados e estão treinando desde a segunda semana de novembro. A expectativa é grande diante de um trabalho que vem sendo profissional e bastante transparente.

Aliás, a boa fase recolocou o Rio Branco na grande mídia, inclusive com o preparador físico, Raul Záccaro, sendo destaque no programa Bate-Bola da ESPN Brasil: 



Outro fato a se chamar atenção é o crescimento da imprensa fotográfica do Rio Branco por meio do Foco no Esporte, comandado e todo feito por Sanderson Barbarini. Suas fotos têm ganhado projeção nacional e ilustrado todos os periódicos da cidade. Nunca o Tigre teve tantos registros fotográficos em sua história. 

O ''Bamba'' da região é o Vasco da Gama

O ser-humano quase como um todo tem uma mania estranha: querer apontar o melhor para todas as situações. Talvez, este seja um discurso generalista, mas se aplica diretamente ao que aconteceu em novembro e dezembro de 1969, quando Vasco da Gama e União Barbarense disputaram a "Taça Bernardes Fonseca" ou, como foi apelidado, "Torneio Bamba da Região". 

Para explicar melhor é preciso recorrer aos dois anos anteriores à taça citada. Em 1967, o União Agrícola Barbarense se sagrou campeão da Segunda Divisão Paulista - equivalente ao terceiro escalão estadual - com uma campanha brilhante. Segundo levantamento do historiador unionista, João José Bellani, foram 19 jogos: 13 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. A equipe barbarense, comandada pelo técnico Lilo, sacramentou o título após triunfo por 3 a 0 sobre o Fernandópolis, em Araraquara.

No ano seguinte, 1968, foi a vez do Vasco da Gama ocupar o lugar maior da Segunda Divisão ao bater o Municipal de Paraguaçu Paulista - a extinta Paraguaçuense - por 2 a 0 no Alfredo de Castilho, em Bauru. A final aconteceu em 20 de abril de 1969 - o campeonato se estendeu até o ano seguinte. 

Ao todo, foram 26 jogos da campanha vascaína: 16 vitórias, dois empates e oito derrotas. O cruzmaltino começou com o técnico Gamba que caiu após derrota por 1 a 0 para o Bauru AC, lanterna da chave na 1ª fase; quem assumiu foi David Tonussi, diretor vascaíno, que ficou até o fim da fase inicial. Lucídio Camargo, um dos treinadores de maior sucesso do amador americanense, foi quem levou o Dragão ao título.

Chegou o ano de 1969 e a curiosidade era saber quem era o melhor time da região: Vasco ou União? A Rádio Brasil, que na época transmitia os dois clubes, resolveu colocar um ponto final nessa discussão com a Taça Bernardes Fonseca. O Acervo - Rio Branco Esporte Clube conversou com vários historiadores da cidade de Santa Bárbara d'Oeste, mas nenhum soube dizer quem é o cidadão que dava o nome ao troféu. 

Como a Taça foi criada justamente para decretar o melhor time da região, o certame amistoso ficou conhecido como "Torneio Bamba da Região". A expressão "Bamba" vem de melhor, de "bam-bam-bam", de "quem manda". 

Foi assim que em 13 de novembro de 1969 ficou decidido que o torneio seria realizado em "melhor de três jogos", ou seja, quem somasse mais pontos dentro de três partidas ficaria com a taça. Os cotejos seriam realizados com a margem de 14 dias a fim das equipes se prepararem bem para as decisões.


Jogo 1: vitória do Leão em Americana
O Vasco da Gama, comandado por João Avellino, não fez valer o fator casa. Diante de bom público no Caldeirão de Victório Scuro, o União foi quem fez os dois primeiros pontos - na época, a vitória valia dois pontos na classificação. 

Na formação inicial, o técnico cruzmaltino esperava surpreender o União: colocou Airton e Melo como dupla de zaga e Nilton e Romualdo como laterais. Foi um desastre. Com 30 minutos de peleja, o Leão da 13 já aplicava 2 a 0 no Vasco: Euzébio e Ditinho assinalaram. 

Diante da tragédia tática vascaína, João Avellino manda Valdecir para campo no lugar de Romualdo, deslocando Airton para a lateral. O Dragão melhorou sensivelmente, suficiente para abrir o placar com Itamar. 

Após o intervalo, o Vasco volta motivado e melhor distribuído, logo cedo pressionando e com relativa dificuldade empatando em 2 a 2 por intermédio de Campos. Começou uma verdadeira pressão pela virada. Parecia que o tento da Cruz de Malta era questão de tempo, mas Avellino tira Moacir Guaçu, destaque do meio de campo, e coloca Maurinho, fazendo o time americanense cair totalmente de produção. A consequência foi o terceiro gol do União anotado por Claudinho. 

VASCO DA GAMA 2X3 UNIÃO BARBARENSE
Data: 16/11/1969
Placar final: Vasco da Gama 2x3 União Barbarense
Placar 1º tempo: Vasco da Gama 1x2 União Barbarense
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: Milton Jorge - da FPF
Auxiliares: Atílio Empke e José Lopes
Público e renda não informados

Vasco da Gama: Claudinei; Nilton, Airton, Melo e Romualdo (Valdecir); Moacir Guaçu (Maurinho) e Tuti; Jairzinho, Itamar (Carlinhos), Demerval e Campos. Técnico: João Avellino. 

União Barbarense: Wilson "Mancha Negra" (Mococa); Roque, Kiki (Leca), Neguito e Celinho; Claudinho e Waldir; Ditinho, Ivan (Zé 21), Nardinho e Euzébio. Técnico: Raul. 

Gols:
UAB - Ditinho 20' 1T
UAB - Euzébio 29' 1T
VAS - Itamar 35' 1T
VAS - Campos 20' 2T
UAB - Claudinho 39' 2T

Na preliminar; Seleção Infantil de Americana 0x0 Seleção Infantil de Santa Bárbara d'Oeste

O Liberal - 18/11/1969

Jornal d'Oeste - 20/11/1969 - Reprodução CEDOC Romi

Jogo 2: Vasco vence em jogo polêmico
Não tinha escapatória: o Vasco da Gama precisava vencer para provocar a famosa "negra" - expressão utilizada para se referir ao terceiro jogo. Ao União Barbarense um empate interessava e com uma grande vantagem de jogar em seus domínios. Era tudo o que eles queriam. 

A casa não estava cheia - pelo contrário, o público foi bem fraco no Antônio Lins Ribeiro Guimarães. Esperava-se muito mais da torcida alvinegra barbarense diante de um jogo de grande interesse da platéia, ainda mais sendo um dérbi. Enfim, quem não foi também não perdeu muito porque o espetáculo foi totalmente prejudicado por uma fraca arbitragem e pela chuva.

Eram decorridos 30 minutos quando Ademar assinalou o primeiro e único tento vascaíno. O ponta-direita fez um cruzamento despretensioso que acabou entrando. Não demorou muito para o União empatar: apenas cinco minutos. Após cruzamento de Euzébio, Claudinei, goleiro do Vasco, falhou e Ditinho, de canela, empurrou para as redes. 

Na segunda etapa, a partida caiu drasticamente de rendimento e de qualidade. Uma várzea. E, "para ajudar", o árbitro Hernani Luiz, da Liga Campineira de Futebol, já estava enervando os jogadores das duas equipes com marcações duvidosas e descabidas. 

Quando o relógio assinalava 28 minutos da etapa complementar, o Vasco tenta um lançamento por intermédio de Jairzinho, mas que acaba no peito de Neguito que sai jogando entre a intermediária e a entrada da área. O árbitro viu um inexistente "toque de mão" do zagueiro unionista. Era o que faltava! Os jogadores do Leão da 13 cercaram e agrediram o juiz. Naquele tumulto, cinco atletas do União foram expulsos e foi dado vitória para o Vasco por W.O.

Vale relatar também que foi preciso que o presidente do União descesse das cativas para separar a briga. Hernani Luiz foi para os vestiários e não mais voltou. O Vasco, que nada tinha que ver com isso, também foi embora e esperava por uma reunião entre os diretores para decidir a realização ou não do terceiro jogo.

UNIÃO BARBARENSE 1X1 VASCO DA GAMA
Data: 30/11/1969
Placar final: União Barbarense 1x1 Vasco da Gama - Encerrado aos 28' da 2ª etapa
Placar 1º tempo: União Barbarense 1x1 Vasco da Gama
Local: Antônio Lins Ribeiro Guimarães, em Santa Bárbara d'Oeste
Árbitro: Hernani Luiz - da Liga Campineira de Futebol
Renda: NCr$1.300,00
Público não informado

Vasco da Gama: Claudinei; Clésio, Edson, Melo e Nilton; Moacir Guaçu e Tuti (Maurinho); Jairzinho, Mazinho (Carlinhos), Zélio e Ademar. Técnico: João Avellino. 

União Barbarense: Mococa; Roque, Kiki, Neguito e Celinho; Claudinho e Waldir; Ditinho, Ivan (Zé 21), Nardinho e Euzébio. Técnico: Raul. 

Gols:
VAS - Ademar 30' 1T
UAB - Ditinho 35' 1T

Na preliminar; Seleção Infantil de Americana 2x2 Seleção Infantil de Santa Bárbara d'Oeste

O Liberal - 02/12/1969

Jornal d'Oeste - 03/12/1969 - Reprodução CEDOC Romi

Reunião: confirmada a vitória do Dragão
No dia 8 de dezembro, a comissão organizadora, ou seja, a Rádio Brasil, se reuniu com os diretores do Vasco da Gama e do União Barbarense para consignar o que seria feito dali em diante com a Taça Bernardes Fonseca. Após a apreciação da súmula do árbitro Hernani Luiz foi DECRETADO OFICIALMENTE A VITÓRIA do Esporte Clube Vasco da Gama por walkover

O fato, aliás, foi noticiado pelo principal jornal americanense, O Liberal, e pelo principal jornal barbarense, Jornal d'Oeste. Ou seja, todos os relatos batem que os pontos foram dados ao Vasquinho. Deste modo, o Dragão e o Leão estão com dois pontos cada - e isso é inquestionável. 

09/12/1969 - O Liberal
Jornal d'Oeste - 14/12/1969 - Reprodução CEDOC Romi
Note a parte grifada que até mesmo o jornal da cidade de Santa Bárbara d'Oeste aponta que os pontos do segundo jogo foram dados ao Vasco da Gama, ou seja, a vitória é cruzmaltina

"Negra": Vasco é o "Bamba" da Região
Campeão sem vencer. Parece estranho, mas é verdade. O Vasco da Gama foi campeão da Taça Bernardes Fonseca sem vencer o União na "negra", isso porque o rival desistiu de jogar a prorrogação se retirando rapidamente aos vestiários do estádio Victório Scuro. 

Aliás, a confusão da "negra" mostrou um lado imparcial e sombrio do rival que chutou o que mesmo acordou na reunião do dia 8 de dezembro. Um erro fatal e pago eternamente com o título. 

Talvez, se o União Barbarense tivesse jogado a prorrogação teria ganho a taça, principalmente tendo em vista o tão favorável retrospecto contra o Vasco da Gama em sua história. Porém, em um gesto decepcionante, o Leão da 13 quis se "auto-declarar" campeão e se colocar acima das regras do jogo. Isso não é possível em qualquer lugar do mundo. 

Pois bem, nos atentemos aos fatos que é o que interessa para os registros históricos. 

O Vasco fez estrear neste jogo o ponta Careca, vindo da Internacional de Limeira, e Walter, que já era do time vascaíno. E deu muito certo, porque foi Careca, aos 10 minutos, quem abriu o placar no Caldeirão: 1 a 0 Cruz de Malta. 

Aos 33 minutos, em uma jogada toda trabalhada individualmente por Ditinho, Waldir empatou para o União Barbarense. 1 a 1 foi o placar da primeira etapa.

As equipes voltaram para o segundo tempo dispostas a matarem o jogo nos primeiros minutos. Ditinho, aos 6, virou a partida para o Leão: 2 a 1 União. Aos 17, Zélio em um bate e rebate dentro da área empurrou para o fundo da rede de Wilson "Mancha Negra". Era o empate vascaíno. 

Depois disso, o jornal O Liberal cita o estranho fato de que o União Barbarense começou "a tocar a bola de lado para garantir o resultado", mas o empate não favorecia a ninguém. O Vasco, ao contrário, continuou a buscar o resultado de vitória a fim de conquistar a taça já nos 90 minutos regulamentares. 

Porém, o Dragão não obteve sucesso e o jogo foi dado por terminado. Os jogadores unionistas brevemente comemoraram e se cumprimentaram, se dirigindo rapidamente aos vestiários. O árbitro da partida, Emídio Marques Mesquita, assim como os jogadores do onze da Cruz de Malta, esperaram no gramado a volta do alvinegro barbarense para a prorrogação.

Também, o time do União foi chamado no vestiário para retornar ao campo a fim de disputar o extratime. O presidente do Leão, Casemiro Alves, não aceitou e afirmou que o Vasco tinha "empatado duas e perdido uma". O presidente do Vasco, Alcindo Furlan, dizia repetidamente que "se o União fugiu de campo, a taça é nossa". 

Depois de aguardados os 15 minutos previstos em regulamento, o jogo foi dado como encerrado e, por desistência do União Barbarense, o Vasco da Gama de Americana foi oficializado pelos organizadores como CAMPEÃO da Taça Bernardes Fonseca. 

Futuramente, o União Barbarense, como forma de justificar sua desistência e angariar os pontos perdidos, alegou que os jogadores Careca e Walter, do Vasco, não poderiam atuar devido a não estarem inscritos na competição. Tal alegação não sucedeu pois se assim fosse o avante Chicão, do União, também deveria ser penalizado; e o Vasco da Gama foi novamente declarado campeão.

VASCO DA GAMA 2x2 UNIÃO BARBARENSE
Data: 14/12/1969
Placar final: Vasco da Gama 2x2 União Barbarense - Encerrado após desistência do União Barbarense da prorrogação
Placar 1º tempo: Vasco da Gama 1x1 União Barbarense
Local: Victório Scuro, em Americana
Árbitro: Emídeo Marques Mesquita - da FPF
Renda: NCr$3.000,00
Público não informado

Vasco da Gama: Claudinei; Clésio, Edson, Melo e Nilton; Moacir Guaçu e Tuti; Careca, Mazinho, Zélio e Ademar (Walter). Técnico: João Avellino. 

União Barbarense: Wilson "Mancha Negra"; Roque, Kiki, Neguito e Celinho; Claudinho e Waldir; Ditinho, Chicão, Nardinho e Euzébio (Ivan). Técnico: Raul. 

Gols:
VAS - Careca 10' 1T
UAB - Ditinho 33' 1T
UAB - Ditinho 6' 2T
VAS - Zélio 17' 2T

Incoerência? Veja o que as duas imprensas noticiaram
Vamos ver agora o que as duas imprensas noticiaram no pós-jogo da "negra" da Taça Bernardes Fonseca. Por que ler os dois lados? É essa a postura que todo historiador deve adotar em jogos polêmicos. Em algumas oportunidades isso não é possível por falta de recursos, mas neste caso, como temos acesso ao principal periódico americanense e barbarense da época, também temos a obrigação de ler os dois lados e ver as incoerências. 

A começar com o O Liberal que, de certa forma, aproximou-se do imparcial e foi coerente em suas argumentações e nas tratativas pós-jogo:

O Liberal - 16/12/1969
O Liberal foi coerente em seus comentários, até mesmo contrariando as reclamações vascaínas quanto ao segundo gol do União Barbarense. O meio de comunicação seguiu aquilo que foi acordado em reunião no dia 8 de dezembro, considerando, de forma correta, a vitória do Vasco no 2º jogo e a desistência do União.

Agora, eis o Jornal d'Oeste:

Jornal d'Oeste - 18/12/1969 - Reprodução CEDOC Romi
Note, inicialmente, a diferença dos relatos: o O Liberal conta como foi o jogo em detalhes, já o Jornal d'Oeste nem mesmo traz os autores dos gols.

Outra diferença: o uso de adjetivos e substantivos que expressam emoção. "Inventada", "maçante", "desespero dos vascaínos", "gesto fidalgo" são alguns dos versículos utilizados pela imprensa barbarense para se referir ao jogo e seus personagens. É sempre importante dizer que no Jornalismo é recomendado que se evitem adjetivos ou substantivos que gratifiquem ou tragam um posicionamento do redator - a não ser que seja um artigo ou crônica. 

Por fim, o Jornal d'Oeste, talvez este sim desesperado para dar uma justificativa e levar de vencida, chuta totalmente o que noticiou e o que foi acertado na reunião de 8 de dezembro. Vamos às partes incoerentes:

Na edição de 14 de dezembro de 1969, o Jornal d'Oeste diz que foi dado os "pontos [do 2º jogo] para a equipe do Vasco" - retornem e olhem a parte grifada do texto. Na matéria pós o 3º jogo, eles já desconsideram esse fato noticiado, se referindo à "negra" como "inventada" e que o União teria vencido uma e empatado duas (e não perdido o 2º jogo). 

Mais abaixo, ele fala que o Vasco tem "uma derrota e um empate" e, por isso, não teria como o identificar como o "Bamba da Região". Além de uma incoerência é também um erro, porque se realmente tivesse sido considerado empate do cruzmaltino no 2º jogo além de não ser realizado o 3º jogo, o Dragão teria dois empates e uma derrota (e não um empate e uma derrota). Porém, como visto anteriormente, na reunião de 8 de dezembro de 1969 foi dado como OFICIAL a vitória do Vasco da Gama no segundo jogo. 

Discussão até os dias atuais
Apesar das evidências apontarem para o título vascaíno, ainda há muita discussão acerca dessa Taça e nem mesmo a Rádio Brasil, ainda existente e que até mesmo transmite os jogos do Rio Branco, sabe responder quem é o verdadeiro campeão.

O historiador do União Barbarense, JJ Bellani, crava com todas as letras que o "Bamba" da Região é o Leão da 13 - inclusive afirma isso no seu almanaque de 100 anos do clube barbarense e que pode ser encontrado no site do CEDOC (Centro de Documentação Histórica) da Romi.

O Acervo - Rio Branco Esporte Clube, em nome de seu historiador e fundador Gabriel Pitor, irá sempre se colocar na contra-mão disso de acordo com os fatos aqui apontados. Dessa forma, a menos que haja um fator claro e evidente que contrarie, sempre noticiarei (e noticiaremos) como o título sendo de posse do cruzmaltino.

E isso é normal. O processo de levantamento histórico prega essas peças e somos, com toda a segurança, obrigados a ouvir e ler os dois lados da história. Isso é o que acabamos de fazer. E, apesar de termos a nossa própria conclusão (Vasco campeão), a interpretação é íntima de cada leitor, uma vez que os fatos foram de vez trazidos à tona.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
Segundo o historiador João José Bellani, a Taça Bernardes Fonseca foi mandada posteriormente pelo Vasco ao União Barbarense e se encontra na sala de troféus do clube unionista. Nós buscamos pelo menos um registro fotográfico da taça ontem, no dia da apresentação do novo treinador Edson Leivinha e de toda a comissão técnica, e NÃO encontramos "o caneco".

Há também suspeitas de que essa taça, na verdade, esteja no Rio Branco Esporte Clube, onde alguns artigos do Vasco da Gama foram levados após a fusão não-incorporada de 1979. O Acervo vai tentar a todo custo trazer uma foto do troféu - estando ele na sala de troféus do União ou do Tigre.

Pesquisa: historiador Gabriel Pitor Oliveira
Acervo: Gabriel Pitor Oliveira
Matéria: escrita por Gabriel Pitor Oliveira